Blog do Grupo de Teatro Cemitério de Automóveis
     
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HOJE TEM KEROUAC NO TEATRO ALFREDO MESQUITA.

Sábado : 21h30

Domingo : 20h30

Teatro Alfredo Mesquita

Rua Santos Dumont, 1770 - Santana

Estacionamento gratuito no local

Tel : 6221-8887



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 16h37
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E o Paulo F. assistiu Kerouac no Domingo. Ele já havia assistido no Centro Cultural na outra temporada. E também escreveu um belo texto em seu blog (linkado aí do lado) comentando o espetáculo. Valeu, Paulo. Aí embaixo transcrevo texto dele:

O Fim da Estrada



Dizem que antes da nossa morte, entramos num estado de espírito em que procuramos a todo custo limpar nossas almas, expulsar nossos demônios, tentando a todo custo nos santificar na medida do possível. O fato é que esse estado nos chega sorrateiro, sem percebermos que essa mudança está acontecendo. Talvez seja uma anunciação do fim evidente, um aviso sutil da própria alma que o fim da estrada está próxima.
Em Kerouac, encontramos o escritor dois dias antes de morrer, bêbado, gordo e extremamente doente, se vendo exatamente no fim da estrada, sem ter mais para onde viajar e enfrentando as conseqüências de suas escolhas.
A peça, brilhantemente escrita por Maurício Arruda Mendonça, dirigida inspiradamente por Fauzi Arap e magistralmente interpretada por Mário Bortolotto capta a essência da alma de um escritor que foi símbolo de uma geração, que iniciou um movimento de liberdade em busca de sonhos e que se vê, no fim da vida, decadente e tendo que "carregar diversos mortos".
Abaixo da superfície de um velho bêbado, resmungão, revoltado e destruído pelo uso abusiva das bebidas, das drogas e pela vida sem regras em que vivia, há um doce retrato de um homem solitário, que viveu a sensação de se alcançar um sonho e que nã há para onde ir. Um homem que foi leal ao que acreditava, aos amigos, aos fãs, e que acabou desprezado, incompreendido e abandonado.
O trabalho do dramaturgo resgata a essência de Jack Kerouac, suas frases repletas de simbologias, sua fala rápida e incessante, suas lembranças do passado, sua religiosidade, a doçura, uma inteligência avassaladora e principalmente (ponto alto da peça) seu amor por Neal Cassady, amigo, cúmplice de aventuras e figura que inspirou o personagem mais interessante de On The Road.
Brilhante, viva, terna e humana. Kerouac é uma dessas peças, que deixa saudade logo que as luzes acendem.

                            (Paulo F)




 Escrito por Cemitério de Automóveis às 17h04
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E aí está a bela crítica que Maurício Arruda Mendonça escreveu para o Jornal de Londrina falando do nosso espetáculo "A Frente Fria que a Chuva traz" que a gente apresentou no FILO (Festival Internacional de Londrina). E pra quem não se ligou, Maurícío é o autor do monólogo "Kerouac" que tô fazendo lá no Alfredo Mesquita de Sábado e Domingo. Hoje tem. E aí algum mané vai dizer: "Ah, é crítica de compadre." Derepente é, né, mano? Mas eu nem chamo isso aí de crítica. Eu chamo de poesia. Du caralho. Acho que é pra isso que a gente trabalha. Pra que as pessoas e principalmente os amigos que se identificam com a gente consigam ter uma leitura desse naipe do nosso trabalho. Não há grana que pague isso.

 

A frente fria" trouxe a ternura de Bortolotto

 

Maurício Arruda Mendonça Especial para o JL

 

E Mário Bortolotto voltou ao palco do Zaqueu de Melo, fazendo a gente lembrar dos velhos tempos em que havia meia dúzia de gatos pingados, chapados & bêbados ali na platéia, só pra curtir, só pra ver e ouvir sua visão sarrista e cáustica da realidade, de vidas no limite da poesia que ele conhece muito bem - peças regadas com doses de Blues & Rock'n'Roll da melhor marca. E era ali, do lado do Bosque, o lugar onde o Mário embarcava a rapaziada pra mais uma viagem sem destino.

Terça, ingressos esgotados, platéia lotadaça pra ver o dramaturgo, o ator, e o lendário Cemitério de Automóveis que anda arrasando em São Paulo. E "A Frente Fria que a Chuva traz" tinha um clima de festa no Zaqueu, de expectativa embalada pela música perfeita. Eu também esperava sentado numa das poltronas ao lado de Jacqueline, pensando no que tinha de escrever, na verdade, cansado de tanto escrever, analisar, imaginar o que o leitor e a leitora, estariam a fim de saber disso tudo. Então, me deu vontade de estar ali só pra curtir, como nos velhos tempos, e isso detonou um processo e comecei a repassar as peças que eu tinha curtido até agora no FILO 2004, e constatei que nada ainda havia batido realmente forte no meu velho coração de 40 invernos. E a escuridão nos engoliu.

E as luzes do palco se acenderam flagrando o personagem de Mário, o segurança Vitor, dormindo numa poltrona. Era a tal laje da periferia de que a matéria legal do Francismar falava. Então esqueci de tudo e mergulhei de cabeça na história que aquele elenco ligadíssimo queria contar. Como sempre, o bombardeio de Bortolotto acertava alvos cirúrgicos. Não escapou ninguém. E as pessoas se chocaram, de saída, com a quantidade de palavrões. Aliás, nunca entendi essa síndrome repentina de decoro. O que há no Mário é um desmascaramento da "polidez" e da boa educação - essa falsa aparência de virtude. Também chocou alguns as referências sexuais, principalmente das personagens femininas, se bem que tudo acabasse em risadas. Mas essa aspereza toda revelava antes a crueza venal de patricinhas & mauricinhos, de pattis & playbas dando uma de tirar com a rapaziada da perifa.

E as coisas em "a Frente Fria" se passam assim. Mário faz você rir pra depois baixar o porrete sem piedade. Mas aí é que está a coisa. Em "A Frente Fria" há os dois lados da moeda expostos até o osso. E da burguesia sai babaquice, mas sai sacada autocrítica, como as da personagem Christie, feita por Júnia Busch - lições que, se não mudam as pessoas, ao menos dão novos pontos de vista de sua própria mesquinhez. E a peça foi dizendo tudo sem meias palavras. Nada ficou subentendido. Foi dizendo dentro.

A grande personagem da peça, interpretada pela excelente Fernanda D'Umbra, com sua ótima levada de humor, desencanto e agressiva fragilidade - é a sugona de patricinhas, a maluco e drogada Amsterdã. As cenas em que ela conta sua história para o tosco e lacônico segurança Vitor foram de pura poesia e humanidade sentida, num clima apaixonante sutilmente entrecortado por breves tiradas cômicas, que impediam que o clima descambasse para o melodrama.

E as atuações de Mário e Fernanda - cheias de silêncios, minuciosas, pontuadas de intenções interrompidas, em que a gente sentia a pulsação desesperada da vida de Amsterdã & todo o sentimento contido de Vítor, que somente revelava o que sentia em pequenos gestos carregados de significados intensos - a mão no ar estendendo uma garrafa de conhaque em direção a ela.

E a cada encontro dos dois era a frente fria fazendo o céu de Londrina descer pro chão - azul à altura dos pés - a ternura batendo em nossos corações cansados da violência imbecil e estéril da grana e das máscaras sem nenhum sentido. E ficamos de respiração presa vivendo essa louca história baldia de Vitor & Amsterdã.

Então, minha primeira lágrima escorreu no escuro do teatro. E apertei firme a mão de minha mulher a meu lado.



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 14h28
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