Blog do Grupo de Teatro Cemitério de Automóveis
     
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O que é isto?
 


Na Terça-Feira, antes da estréia, a gente fez um ensaio geral para a rapaziada do elenco de "O Herói Devolvido". Eles estão em cartaz no Teatro X no mesmo horário que a gente, e sendo assim, não poderiam ver o espetáculo. A Pequena (em tamanho-costumo tratá-la carinhosamente de "1 metro e 30 de mulher") Aline, grande atriz e amiga e que sempre está trabalhando com a gente, pelo menos, quando calha, foi uma das figuras que assistiu o ensaio. E ela escreveu em seu blog sobre o que viu. Eu reproduzo aqui:

O QUE RESTOU DA SAGRADO
Seria uma ótima pergunta se não fosse uma afirmação.



Pessoas da pior espécie, pessoas que escondem seus mais profundos e cruéis pensamentos e que não deixam vestígios de suas bárbaras acões. Pessoas que cruzamos todos os dias pelas ruas da cidade, nos elevadores, no supermercado, no metrô ou num ponto de ônibus. Pessoas comuns que se escondem atrás da máscara de um sorriso falso, mas que guardam na memória a lembrança de seu último sacríficio humano. Eles recebem um chamado e vão para uma igreja. Eles precisam se redimir de seus pecados. A igreja fica pequena diante de tanta maldade e a humanidade depende da redenção para continuar existindo. É daí que parte a mais nova peça do Cemitério de Automóveis que estreou dia 12 de outubro no Espaço dos Satyros.
Como um vinil tocado ao contrário, um som do demônio que se esconde nas estrelinhas, o mais novo texto do Bortolotto me fez pensar do que eu seria capaz. Talvez eu nunca consiga chegar a uma conclusão plausível a respeito de tanta sordidez e tenho certeza de essa não é a intenção do cemitério.
Eles fizeram uma sessão pra gente (elenco do O Herói Devolvido) antes da estréia, a gente que trabalha no mesmo horário, na mesma rua, na mesma praça. Um ensaio aberto pra gente não correr o risco de morrer, mas de curiosodade.

Não sei se existe perdão para tanto.
O Cemitério continua cru, ríspido, contundente e honesto.

                  - Aline Abovsky -



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 02h39
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O QUE RESTOU DO SAGRADO - O QUE ESTÃO COMENTANDO

Estão chegando os primeiros comentários sobre a peça "O que restou do Sagrado" que a gente estreou no dia 12 no Espaço dos Satyros.

O primeiro deles é do dramaturgo Jarbas Capusso que assistiu na estréia:

Marião é o seguinte: espetáculo pra quem tem estômago forte! fui lá e não acreditei no que vi. saí perturbado. que bom. quando assisto um espetáculo quero isso. ou que confirme ou que conteste o que penso. não gosto de coisas mornas. um puta raio x dessa sociedade (sociedade é foda. devia ser irmandade, mas... tem sempre a porra do mas) dissolvida num caldo de religiôes, crenças & (gozado) falta de fé. é isso mesmo: falta de fé! e não tô falando de religião não. pode ser fé no próprio (que mal, fazer o quê?) ser humano. porque se, metade dessa sociedade tivesse o minimo de fé que eles, literalmente, gritam, o mundo não estava essa bosta que tá. o espetáculo confirma o que penso: se deixar por conta da gente, meu irmão... resumindo a ópera: o mundo até que é bacana, o que atrapalha, o que fode é o ser humano. precisamos dissecar essa palavra e ver o que significa: humano! mais uma vez ponto a favor pro Cemitério!!

E esse outro comentário foi enviado pela Tati:

E ri. E quase chorei. Mário, como pôde ser tão cruel?! Emocionei-me. Coisas para fazer sentir-me viva. Em determinados momentos da peça lembrei-me do Quentin Tarantino, dizendo que gosta de fazer as pessoas rirem de coisas não exatamente/ convencionalmente engraçadas, e que, de certa forma, essa sensação de "desconforto" e "sadismo" mostra-se interessante. Não sei exatamente a razão de estar escrevendo isso... Parabéns pela estréia, e vida longa ao Cemitério de Automóveis.



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 15h25
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ESTRÉIA "O QUE RESTOU DO SAGRADO"

 

 

Essa é uma peça de acerto de contas e da real intenção de entender alguns dogmas que me atormentam desde os meus tempos de seminário. Sim, meus amigos, eu verdadeiramente estive em um seminário por cinco anos e confesso que ao longo desse tempo cogitei seriamente a possibilidade de fazer parte efetivamente do quadro de funcionários da Igreja Católica. Depois fui gentilmente convidado a me retirar da corporação (aconteceu várias vezes coisas do tipo na minha vida). O nome certo é  “congregação”, mas e daí?. Hoje continuo sendo como Kerouac, um católico louco. Não vou a missas. Fui todos os dias durante cinco anos. Esgotei minha cota. Mas continuo católico e palmeirense. Embora não leve realmente a sério nenhum dos dois. Mas não vou mudar de time no meio do campeonato. Isso é coisa de cuzão. E na verdade, religião nenhuma me interessa como profissão de fé. Não acredito em nenhuma religião e não suporto a simples idéia de ter que participar de qualquer tipo de culto. Pra mim, tanto faz. Católicos, evangélicos, mórmons, umbandistas, budistas ou bebedores de Santo Daime. Respeito todo mundo e inclusive, acredito em tudo. Sou do tipo crente convicto. Não tenho a menor vocação pra ateu, graças a Deus. Mas não preciso de nada disso e nem de psicólogos. Quando algum amigo em chama pra tomar Santo Daime por exemplo, eu respondo: "Ok, traz aí que eu tomo". Eu é que não vou lá participar de nenhum ritual e cantar nenhum hino. Como diriam os detratores de teatro: "Culto e sessão de análise - Quer ir, vai. Mas não me chame". Eu me entendo comigo mesmo, e quando preciso de algum conforto espiritual, ouço um CD do Lynird Skynird. Mas como já disse, acredito em tudo e sei que tem algo por aí. Mas não entendo algumas coisas e fico na função de querer saber. Se tenho realmente livre arbítrio e sou senhor do meu destino porque porra eu me pego fazendo coisas que fogem do meu controle? Eu sinto que tão brincando com a gente e se divertindo pra caralho. Ou então Deus realmente tirou férias em Cancun e está tirando uma de surfista e aceitando sugestões para uma nova tatuagem. Se é assim, tá na hora dele voltar pro lugar dele. Eu não sou Jesse Custer, mas também quero tomar algumas satisfações. E é por isso que escrevi essa peça. Um bando de sangue ruim vão parar em uma igreja e os caras tem que se arrependerem de seus pecados. Dessa remissão sincera depende a salvação da humanidade. Mas o problema é que tem que ser sincero, sacou? Não vai ser fácil. E quem disse que era pra ser?

 

                                                     - Mário Bortolotto -





 Escrito por Cemitério de Automóveis às 10h08
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GRUPO DE TEATRO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS

O QUE RESTOU DO SAGRADO

Texto e Direção : Mário Bortolotto

 

Elenco

 

Fernanda D´Umbra

Gabriel Pinheiro
Lavínia Pannunzio
Mariana Leme
Mário Bortolotto
Nelson Peres
Wilton Andrade

Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto

Operação Técnica : Marcelo Montenegro

Assistencia de Direção : Marcos Feitosa

Cenário : Gabriel Pinheiro

Figurinos : Ofélia M. Lott

Fotos : Norberto Avelaneda

Direção de Palco : Wilton Andrade

Cenotécnico : Régis Santos

Projeto Gráfico : Rodrigo Somer e André Kitagawa

Produção: Fernanda D´Umbra

SERVIÇO

 

Estréia dia 12 de Outubro de 2004

Temporada: de 12 de outubro a 15 de dezembro
Terças e Quartas - 21h30

Ingresso: R$ 10,00

Recomendação: 16 anos

 

Espaço dos Satyros

Praça Roosevelt, 214
Tel: (11) 3258-6345




 Escrito por Cemitério de Automóveis às 10h08
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O QUE RESTOU DO SAGRADO

Vai ter uma hora que eu vou achar necessário. Que eu vou querer uma satisfação. Eu sei o quanto vou ser ignorado. Todo mundo é. E mesmo assim, as pessoas ainda entregam suas vidas e suas almas. É claro que tudo tem um preço. Ninguém faz nada de graça. Então o problema é comigo? Eu que não sou chegado em negociações. Que só me refugio num canto de balcão e às vezes me deixo surpreender emocionado. Eu, que aguardo instruções e nunca as cumpro. Eu, que vivo de pequenas lamentações. Eu, que não mereço nenhuma satisfação. Eu, que sei o quanto posso estar sendo indelicado. Mas eu não nasci afeito a gentilezas, por isso não há porque estranhar meu comportamento pouco cordato. Minha negação de felicidade. Minha queixazinha monótona. Ainda tem humanidade de sobra nessa carcaça renitente. Sei o tamanho de minha insignificância. Mas ainda assim, vai ter uma hora que vou ter que sair desse canto seguro do balcão. Vou ter que tomar uma atitude. Vou ter que exigir uma satisfação. E tenho plena consciência do quanto não serei querido por isso. Ouvi dizer que existem maneiras mais agradáveis de se ganhar a vida. Mas eu não me mantenho informado.

 

             - Mário Bortolotto -

 

Este foi o texto que eu escrevi pro programa da peça

 

O desenho é do Kitagawa

 

A peça estréia na Terça-Feira no Espaço dos Satyros



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 20h10
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