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EM CARTAZ: "O QUE RESTOU DO SAGRADO".

Terças e Quartas

Às 21h30

Ingresso: R$ 10,00

Recomendação: 16 anos

 

Espaço dos Satyros

Praça Roosevelt, 214
Tel: (11) 3258-6345





 Escrito por Cemitério de Automóveis às 08h54
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HOJE TEM "O QUE RESTOU DO SAGRADO".

Às 21h30

Ingresso: R$ 10,00

Recomendação: 16 anos

 

Espaço dos Satyros

Praça Roosevelt, 214
Tel: (11) 3258-6345




 Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h33
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E o Régis também escreveu em seu blog (o Trovão Afetuoso) a respeito da peça. Vou ter que dividir o comentário em duas partes:

 

O QUE RESTOU DO SAGRADO na terra prometida.

 

Antes de tudo, quero esclarecer que esse post estava latejando num canto escondido da minha memória, e que devido à ligação de um amigo eu resolvi resgatá-lo, até mesmo para continuar o que conversávamos nas primeiras horas do dia 28/10.

Marcelão, segue abaixo o que, devido ao sono, ontem eu só balbuciei.

 

Na primeira vez que vi foi “apenas” impactante, como é praxe com as “coisas” do Cemitério. Um texto forte, uma trilha sonora que parece ter sido parida do ventre de uma daquelas velhas negras da Louisiana, uma luz sem invencionices estéreis e, sobretudo, atuações que vão do orgânico e visceral a auto-mutilação do silêncio inquisidor. Reconheço que o momento que eu estava passando era mais que propicio para eu “me sentir em casa” com aquele texto. Ao término, após os cumprimentos habituais, uma cervejinha depois com o aniversariante da noite, meu amigo Anselmo, e um bate papo rápido com alguns atores da peça, fui embora. Nenhuma palavra com mais ninguém, não conseguia. Mas, após subir alguns quarteirões da Rua Augusta, a sensação de engasgo, de saliva amarga continuava na minha boca. Olhei em volta e a associação foi inevitável: O “açougue” humano nas calçadas, os carros importados (de não sei quantos mil dólares) com seus tiozinhos e playboys engomados desfilando e fodendo o trânsito naquele “shopping à céu aberto de diversão adulta”, as luzes da Av. Paulista vigiando os milhões desses e de outros engomados, as meias-luzes dos quartinhos imundos da Augusta de cá, (sim, existe a Augusta de lá), os “muquifos” onde, a noite, ficam guardados os sonhos das meninas pernambucanas, baianas, paraibanas e cearenses e dos garçons e laçadores das boates, quase todos, pernambucanos, baianos, paraibanos e cearenses, a Augusta onde nas esquinas, o lixo, restos de comida e latinhas amassadas de uns poucos “eleitos” viram banquete e sustento de muitos e são disputados a tapa pelos mendigos, carroceiros e alcoólatras, que já convivem pacificamente com as moscas, os ratos e as baratas do lugar.  Sim, eu também me perguntei, “caralho, o que restou do sagrado”? O que restou do sagrado nessa terra prometida sob o(s) (des) mando (s) de deus?

E tudo seguia “normalmente” (e continua seguindo), e eu continuava com o engasgo e o gosto de saliva amarga na boca. Pensei em voltar, eu tinha que voltar. Deixei pra outra semana. Eu tinha que assistir tudo aquilo de novo. E lá fui eu viver os dias da semana, tentando resolver meus “infindáveis” problemas enquanto a vida continuava do mesmo jeito, e a semana passava, com a vida do mesmo jeito, com meus “infindáveis” problemas não resolvidos de “cearense que deu certo no sul”, (certo?! Meus patrícios devem estar loucos).

 

Aos meus olhos, a Praça Roosevelt (e tudo em volta) parece a “ante-sala” do Cemitério de Automóveis, tudo ali parece ter saído de uma peça d’O Cara, tudo ali parece ter o dedo, meio ficcional, meio real, do Bortolotto. Após assistir “O QUE RESTOU DO SAGRADO” eu me perguntei (e ainda estou me perguntando): “Aonde o Mario Bortolotto vai chegar”? Aonde esse cara vai chegar quando em 50 minutos descasca nossas feridas mal disfarçadas e as lambuzas no sangue que jorra de nossos olhos esbugalhados e de nossas almas podres, estupefatos que estão pela escória que espicha em nossa frente as nossas semelhanças, contradições e questionamentos? Aonde O Cara vai chegar quando dá repetidos socos em nossos estômagos e cospe nas nossas caras de classe média arrependida tudo aquilo que em silêncio recalcado nos perguntamos quando entramos no metrô lotado das seis horas, no horário do trabalhador fatigado por doze horas de trabalho mal pago, o mesmo metrô que leva suas esposas para sua segunda jornada, eternas donas-de-casa sem casa, o metrô dos oficce-boys que não enxergam nenhum futuro após o dia depois de amanhã, toda uma gente do bem esquecida na terra prometida sob o(s) (des)mando(s) de deus?



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 09h30
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 Aonde será que ele vai chegar quando em 50 minutos nos faz vomitar as indagações que engolimos a seco todos os dias, presos (e amedrontados) que estamos no nosso cotidianozinho engessado pelos dogmas de um catolicismo cretino ou pelo evangelismo de balcão que não dá troco nem nota fiscal? Porque não temos a chance de barganhar algo melhor, ao menos diferente? Por quê nossos microfones estão desligados e a nossa conexão com o divino está sempre interrompida?

 

O QUE RESTOU DO SAGRADO nos remete a Praça da Sé que acolhe os deserdados de deus, que atrai os profetas vesgos, a Praça da Sé dos “marginais de amanhã”, essas crianças (inocentes) já tão sem inocência, enquanto não muito longe dali, nos playgrounds dos Jardins, nos jardins de Alphaville e nos quintais do Morumbi, outras crianças brincam, alimentadas e bem vestidas, protegidas da “ira” dos pivetes mal vestidos, sujos e desnutridos da Praça da Sé, protegidas dos órfãos de deus.

O QUE RESTOU DO SAGRADO é o nosso retrato em preto e branco. (esse é um clichê necessário). Quem gosta verdadeiramente de teatro, daqueles textos para ATOR, texto com conteúdo, com atuação e direção de gente grande, quem gosta daquele teatro que não serve apenas como ponto de encontro para a posterior pizza com os amigos não tem como ficar imune a magistral interpretação da primeira dama, a Fernanda-voz-de-trovão-D’Umbra, ou pelo impagável Wiltão Andrade, (guardem esse nome), com seu pedófilo psicótico, ou Gabriel Pinheiro, com uma representação “Mephistofélica” e um sorriso roubado do Jim Carrey em O Máscara, ou com a Lavinía Pannunzio desfilando com lascívia e charme a sua putinh... ops! a sua pornô star. Enfim, para não ficar citando um a um, e deixá-los com mais tesão em ver todo o restante do pessoal em cena, lhes digo, vão assistir, vão assistir essa peça porque ela não deixa intenção sobre intenção, ta tudo lá, tudo que vemos e sentimos está lá. E pra calar a boca dos ratos raivosos, (como se fosse preciso) O Cara fez uma peça universal sim, e é peça, na minha pretensiosa análise, pra ganhar todos os prêmios do ano, (se é que isso possa representar algo para um cara e uma companhia que há muito tempo é o que de mais instigante surgiu no cenário teatral brasileiro, muitas vezes tão insípido e “inofensivo”). Eu, como expectador/admirador, quero é casa cheia, sempre, com prêmio ou sem prêmio.

 

Pra terminar: Aonde esse cara pensa que vai chegar quando cita o blues man Robert Johnson, Charles Bronson com Charles Manson (grande sacada) e faz do silêncio mais um importante personagem em cena? (Esse é um “personagem” que nem sempre “atua” direito). Aonde o Mario Bortoloto pensa em chegar eu não faço a mínima idéia, mas aonde ele já chegou eu desconfio: Lá aonde poucos chegaram, muitos acham que já estão, alguns nunca chegarão, e outros estão ralando para ao menos se aproximarem, ou seja, lá onde até quem não gosta do criador é obrigado a respeitar a criatura, porque é original, é viva, é Teatro com T maiúsculo, com T de Tesão.

 

Vida longa ao dramaturgo bebum e ao seu Cemitério.

 

                                      (Régis)


 Escrito por Cemitério de Automóveis às 09h29
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