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O QUE RESTOU DO SAGRADO - REESTRÉIA

Dia 24 de Janeiro reestréia "O que restou do Sagrado", nossa montagem mais recente. O texto abaixo eu pesquei na Internet no site de Cultura Wooz http://www.cuca.org.br/teatrosagrado.htm. O nome do autor é Valmir Júnior, que eu ainda não conheço. Mas fiquei feliz de conhecer a crítica dele.

O Que Restou do Sagrado

Valmir Junior*

Migalhas. Foi o que restou do sagrado. As muitas migalhas de pão que se estendem pelo espaço cênico dos Satyros. Nada mais do que resquícios do que um dia foi o Deus Todo-Poderoso. Porque o Deus de hoje é outro. O Deus de hoje (ou o de Mário Bortolotto) é polivalente, polideficiente, polidoente, poli-poderoso... Um prato cheio pra qualquer agnóstico (como eu - filosofia a rodo em cima do tema do espetáculo).

O fato é que Deus reuniu sete criaturas "sangue-ruim" numa igreja e nem mesmo elas sabiam o que foram fazer lá. Então surge um padre e cada um deles deve se confessar, tornar públicos seus próprios pecados. E olhem que os pecados de cada um ali não são poucos. O "confessionário" tem um mote: se todos eles se arrependerem, a humanidade se salva.

O enredo da peça é tão simples assim. Porém, a intricada reflexão contida nas entrelinhas é de arrebatação total. Como conceber um Deus como esse? Que reúne numa igreja, um outrora sagrado local, seis pessoas hediondas para se confessarem? Seis pessoas que representam a escória, o lixo? Que Deus é esse que deixa todos os outros fora da Igreja à mercê da decisão de seis lunáticos, seis anormais?

Essa e muitas outras questões são levantadas no espetáculo. Segundo Bortolotto, o espetáculo é um acerto de contas dele com a religião. E claro que o espectador leva um soco, um tapa e um chute e tenta digerir a quantidade de informação que leva na cara, mas o mais interessante é entender que estamos mais próximos de profanos do que sagrados e, no entanto, talvez isso não faça mais diferença. A questão é aqui é outra.

E é exatamente porque você deve assistir a peça. Para descobrir essa questão. É uma coisa íntima. Muito sua. Descobrir essa questão e trazê-la ao seu âmago para destrinchá-la é o que essa peça deixou restar em mim. E não foi nada sagrado.

"O Que Restou do Sagrado" - Com o Cemitério de Automóveis - Dir.: Mário Bortolotto. Texto: Mário Bortolotto. Elenco: Fernanda D'Umbra, Gabriel Pinheiro, Lavínia Pannunzio, Mariana Leme, Mário Bortolotto, Ivan Cabral (Nelson Peres) e Wilton Andrade. Onde: Espaço dos Satyros - Praça Roosevelt, 214 - Segundas e Terças - A partir do dia 24 de Janeiro


*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 00h03
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