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O que é isto?
 


Nosso amigo e grande escritor Tadeu Sarmento esteve no Teatro semana passada assistindo "O que restou do Sagrado", e escreveu um belo texto em seu blog. Du caralho. Segunda-feira estamos de volta no Espaço dos Satyros

O EVANGELHO SEGUNDO MÁRIO BORTOLOTTO
(Uma pequena pausa nos Imaginários, para falar de um Escritor de verdade)

Continuo a desconfiar da coincidência, esta uma falsa aparência da casualidade, usada como desculpa para nossas atitudes, como se tudo que nos acontecesse fosse obra do acaso, como se sobre as coisas ao nosso redor nós não tivéssemos nenhum tipo de controle. Me nego a acreditar nisso, mas o que eu quero dizer realmente é que ontem finalmente fui assitir à peça "O que restou do sagrado", sonoplastia, iluminação, direção e texto de Mário Bortolotto, que está em cartaz no espaço dos Satyros, na praça Roosevelt, centro de São Paulo. Digo finalmente porque fazia tempo que andava querendo ir assisti-la, mas até então não havia conseguido conciliar os imprevistos que sempre apareciam me impedindo de ir. Então dizia para mim mesmo e para minha Penélope: Vamos amanhã? E assim fomos adiando e se passaram semanas desde a estréia das peça, que aconteceu no dia 12 de outubro de 2004, até ontem, até que o ontem se tornasse o amanhã, como de fato aconteceu, e nós fomos. Comecei este texto dizendo que desconfio da coincidência, aliás, um poeta disse certa vez que não existem coincidências, existem sim, N formas de se dizer a mesma coisa...o que estou querendo dizer é que fomos justamente ontem, e não na estréia da peça, ou antes de ontem, ou mesmo na semana passada ou retrasada, mas ontem, e ficamos naquele exato lugar da fila, não em outro, naquele, esperando para entrar, uma longa fila, os ingressos esgotados há duas horas antes do início da peça, onde justamente ontem, e justamente naquele lugar onde nós nos encontrávamos na fila, foi que ele apareceu.



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 13h22
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Na peça Gravidade Zero (1999), Bortolotto escreveu: a segurança é um câncer que nos devora implacavelmente. Eu sofro desse câncer, e me senti inseguro quando ele se aproximou já dizendo "não sou ladrão", foi quando olhei para ele, um homem de seus trinta anos, foi quando notei que suas mãos estavam manchadas com manchas semelhantes a pequenos círculos feitosa com caneta azul bic. Ele continuou " eu tenho AIDS e Hepatite C e ontem minha família me expulsou de casa". Olhei para minha Penélope, olhando em seguida para as outras pessoas na fila "e está faltando sete reais para comprar meu remédio, Bactrin". Olhei de volta para minha Penélope, seus olhos silenciosos me disseram que ele estava falando a verdade (ela trabalha como tradutora numa empresa farmacêutica, depois que ele saiu, ela me disse que este remédio é realmente usado para infecções), em seguida olhei de volta para as pessoas ao redor da fila, elas pareciam ignorá-lo. Foi quando o sujeito começou a chorar, ele dizia "não estou brincando gente, as pessoas pensam que é uma brincaderia de carnaval mas eu não aguento mais andar". Tirei uma nota de um real do bolso e entreguei à ele, outras pessoas o fizeram, ele agradeceu, virou as costas, foi embora, as portas do teatro se abriram e nós entramos. Uma igreja, com uma enorme cruz luminosa pendurada na frente, onde sete personagens se encontram para confessar seus pecados e redimir com isso a humanidade. Um padre, um pedófilo, uma escritora (interpretada pela grande Fernanda D´Umbra), um beberrão outsider (o próprio Mário Bortolotto), uma atriz pornô, um yuppiezinho e sua secretária, estas são as sete personagens de "O que restou do sagrado", estas são as caricaturas amargas que Bortolotto escolheu para vomitar seu evangelho, sua narrativa cheia de veneno, de perplexidade, de virulência, tudo em tempo real, sem pausa para o espectador respirar, uma porrada atrás da outra, uma navalha afiada sendo aberta no exato instante em que a outra navalha cega de tanto cortar, sem trégua, sem piedade, um texto escrito para causar incômodo, na pronúncia de cada sílaba, no movimento de cada gesto em cena, de cada olhar de cada um dos atores no palco. As personagens, estas não possuem nenhum verniz social, todos eles são cínicos, não tentam agradar ao espectador através de convenções sociais nem criar alguma espécie de vínculo conosco, nenhum tipo de cumplicidade, são quase símbolos, arquétipos, espelhos onde nós nos vemos refletidos, mas sempre em movimento, não espelhos fixos, mas em movimento desesperado, avançando sempre na perspectiva de uma catarse coletiva, de um confessionário coletivo, onde não só eles personagens expurguem e confessem seus pecados, mas nós espectadores também, nós espectadores também. Daí a empatia e a ojeriza que sentimos, contraditória e imediamente em relação a eles. Empatia e ojeriza não criadas por uma personagem apenas, mas multiplicadas por todas, em ondulações sucessivas, resultado da situação-limite criada pela peça que (aí está o barato) já se inicia em seu clímax, com todas as personagens falando ao mesmo tempo, uma espécie de epifania, epifania que conduz ao paroxismo, a um clima de tensão onde todos são levados a confessar seus pecados mais íntimos, mais secretos, mais sujos, que vão da homofobia ao incesto, do assassinato à pedofilia, um atropelando o outro, em seqüência, sem juízos de valor nem tentativas moralizantes, não senhor, Bortolotto vai mais fundo, não fica na convenção rasa de uma moral da história, "o mundo está fodido e Deus escolhe como salvadores da humanidade seus piores representantes" diz a certa altura uma das personagens, e neste sentido a peça é amarga, pessimista, não há saída, o mundo está fodido, e se Deus existe, não está muito preocupado com isto. O murro final no estômago acontece quando o padre, que até então se apresenta como a única possibilidade de redenção, diz não ter fé em Deus, aí a visão niilista do autor se esgarça, emergindo dos esgotos para tocar o céu em seguida, questionando com isso os fins últimos do homem, criação máxima deste Deus impiedoso. É foda, com esta peça, Bortolotto definitiva e fodidamente se inscreveu na ala dos poetas malditos, Bortolotto é um poeta antes de tudo e não duvidem disto. Ele pertence a uma longa linhagem que começa com o andarilho, o palhaço, o bufão, passa por François Villon, e chega em Baudelaire, em Poe, em Sade, em Artaud, em Rimbaud, em Céline, e em tantos outros como estes, que vem vindo ao longo de um tempo nos dizendo que a alegria em seu estado puro, não existe, não existe, é uma ilusão, uma idealização, não existe, ponto. Então voltemos ao homem da fila, porque eu quero dizer o seguinte: eu, Tadeu de Melo Sarmento, rg número 1474770-7, ontem, e em comunhão com as grandes personagens de "O que restou do sagrado" também confessei os meus pecados, confessei que tinha 21 reais no bolso e que só dei um real para o homem das mãos manchadas, porque queria guardar os vinte para tomar burguesamente minha cerveja depois da peça, e que quando entrei no teatro me senti digno de ter dado aquele um real que nunca me fará falta, e que quando estendi a mão para entregar a cédula ao desgraçado toquei levemente em sua mão, e que fiquei receoso por isso, mesmo sabendo que o HIV não se transmite pelo toque, fiquei com medo, mas entrei assim mesmo no teatro me sentindo digno e criticando aqueles que não deram atenção àquele homem, me sentindo melhor do que eles, quando na verdade eu não era, eu não sou, dei aquele um real porque não me faria falta, e tomei minha cerveja depois e fui pra casa e fiquei pensando nisso, no porque da "coincidência" de ontem ter acontecido, o mundo está fodido, o homem está lá fora, ele tem HIV e sua família o expulsou de casa, e o simples fato de ter dado aquele um real para ele não o redimiu da dor que sentia, assim como não me redimiu da minha culpa, assim como as personagens da peça "O que restou do sagrado", eles ainda estão lá, a vida desgraçadamente real que Bortolotto captou com sua verve afogada em fel e fúria, é a vida real meus amigos, a triste vida real, cabe a vocês agora tomarem a decisão de irem assisti-la, e podem ficar certos que, tomada a decisão, vocês irão no dia em que vocês terão de ir, para enxergar o que eu enxerguei, para que, como disse um outro poeta "perceberem que os homens constróem torres de concreto para se livrarem da violência, mas se esquecem que através das grades um dia passarão a doença, a morte e o dia de amanhã".

Eu não acredito em coincidências!

            (Tadeu Sarmento) 



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 13h22
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CARNAVAL LEGAL

Lotamos os dois dias de "O que restou do Sagrado". Pra nós, esse carnaval foi legal. Longe de qualquer baticum de merda e fazendo teatro com casa lotada.

Hoje tem "O Herói Devolvido" no Centro Cultural São Paulo.



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 10h05
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E vejam só o que o Michel Fernandes escreveu no "Ultimo Segundo" do Ig no Artigo Algumas notas da Dramaturgia Contemporânea Brasileira:

"Mário Bortolotto tem uma característica fundamental em sua vasta quantidade de textos escritos: evidenciar a vida e o caráter dos indivíduos mais marginalizados, caso dos viciados e traficantes do bem-sucedido “Hotel Lancaster” que, a despeito do final abrupto, como um deus ex-machina – característica da maioria de seus textos –, dá seu recado de maneira bem direta.

 

Entretanto é em “O Que Restou do Sagrado” que percebemos que nem todo o conteúdo se adequa à mesma forma, ou seja, escolher personagens outsiders para discutir o sagrado na forma que está configurada a peça, além de superficial é maçante e deja vu.

 

A sucessão de depoimentos que expõem a vida pregressa daqueles seres confinados por Deus numa igreja para que, por meio de seus arrependimentos, alcancem a redenção de toda a humanidade, é repetitiva na forma e não convincente no conteúdo.

 

Talvez seja hora de Bortolotto rever o próprio trabalho para alavancar seus textos a uma nova etapa."

 

 

Porra, Michel, depois desse artigo revelador, vou correndo rever meu trabalho. Aliás, o que é que eu tô fazendo aqui escrevendo nesse blog?

 

 

 



 Escrito por Cemitério de Automóveis às 01h37
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MÓ COMÉDIA, MEU!

Saiu no Guia do Estadão nº174, que traz a programação de 04/02 a 10/02.

"No Centro Cultural São Paulo, seis peças são apresentadas no sábado (5) e domingo (6). Já no Espaço dos Satyros, quatro espetáculos dividem a cena de sexta (4) à terça (8; confira a programação em Teatro). Entre eles está a comédia 'O Que restou do sagrado'. Na trama, uma força misteriosa junta a escória da sociedade para se confessar numa igreja. Mas os bandidos e as prostitutas não querem se redimir, apesar dos apelos do padre. Tudo bem! Afinal, libertinagem e bagunça não são privilégio dos súditos do Rei Momo."

A matéria está assinada por dois jornalistas (?) que são Maurício Moraes e Michelle Alves de Lima.

Du caralho. Devo dizer que até que enfim apareceram dois críticos capazes de entender plenamente o meu trabalho. Venho fazendo comédias há anos e ninguém ainda havia percebido isso. Estou emocionado. Já posso morrer em paz. Finalmente me reconheceram como o comediante que sempre fui. Se ninguém se divertir, é porque não entenderam nada.

Hoje no Espaço dos Satyros será apresentada essa maravilhosa comédia "O que restou do Sagrado".




 Escrito por Cemitério de Automóveis às 00h22
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