SAIU CRÍTICA NO ESTADÃO
Jotabê Medeiros (que assistiu o espetáculo na estréia) escreveu a primeira crítica do espetáculo “Chapa Quente”. Saiu hoje no Estadão. Du Caralho.
São Paulo lírica e perversa, mas sem melodrama
Chapa Quente, peça que leva ao palco o desenho em quadrinhos, traz humor para a vida da marginália
Crítica JOTABÊ MEDEIROS
O moleque de classe média chapado que se acha esperto, mas é só otário. O otário crônico que, de tão estúpido, tornou-se invisível e passa incólume pelas balas perdidas de sua vizinhança. A mulher intensa que vive abaixo da superfície. A mulher vulgar que se julga intensa. A vagabundagem, os amigos toupeiras que só fazem fechar bares na madrugada, o nóia suburbano que surta e sai matando todo mundo pela frente (até a mãe), o bacana que vira isca de malandro quando se perde de carro na periferia.
O mundo da peça Chapa Quente é habitado pelos personagens criados pelo quadrinhista paulistano André Kitagawa. Poderiam ser personagens do americano Charles Bukowski, mas são demasiado paulistanóides para serem confundidos. O cenário não é o Fisherman's Wharf de São Francisco, nem a Times Square de Manhattan. É Santa Cecília, é o Largo da Concórdia, são os baixos do Minhocão, é uma SP reconhecível em cada quadrinho, em cada pichação - um amigo jura que viu a janela do seu apartamento no Brás, naqueles condomínios vizinhos à linha do metrô, retratada na peça.
Kitagawa não publicou nenhuma revista em quadrinhos até hoje: só tem trabalhos na internet. Foi apanhado na rede pelo dramaturgo e diretor Mario Bortolotto, que o tornou co-diretor da peça. Sua primeira HQ é justamente a reunião das histórias que dão substrato à peça Chapa Quente, lançada agora pela Atrito Art Editorial. Candidata-se desde já ao melhor lançamento nacional deste ano.
É nessa realimentação contínua entre quadrinhos e teatro que se ergue Chapa Quente. Curiosamente, nenhum dos dois se torna dependente do outro - os quadrinhos e o teatro se tocam, mas não se tornam híbridos. Os personagens não são mutações em carne e osso do comic book. Cria-se ali uma interseção que parece inédita no nosso recente teatro em quadrinhos.
Ambos, quadrinhos e teatro, ganham com o negócio fechado ali no escuro do teatrinho da Capote Valente. O teatro fica mais vivo, dinâmico, sanguíneo, ligado à sua realidade. Os quadrinhos ficam coreografados, balanceados. Os atores não são Roger Rabbits habitando uma terra sem chão. Nada disso. Beneficiam-se dos personagens, mas não se escoram na sua unidimensionalidade. Há lirismo, inocência, perversão, violência. Mas, principalmente, há humor. Chapa Quente é muito divertida. Nada vira melodrama, apesar do relato realista das vidas de uma marginália nos escombros da grande cidade, ao som de Tom Waits.
Um garoto de 15 anos comenta o espetáculo, ao final. "É um tipo de teatro único, nunca vi nada parecido". Ele compara com as peças que vê na escola. É verdade: os espetáculos de Mário Bortolotto são únicos porque eles os torna únicos, ele os torna seus. Embora sejam tão nossos também.
(SERVIÇO)Chapa Quente. Viga Esp. Cênico (64 lug.). R. Cap. Valente, 1323, 3801-1843. 6.ª e sáb., 21h30; dom., 20h30. R$ 20. Até 2/7
Ah, e prossegue no Satyros 1 a Mostra "Cemitério à Meia-Noite". Hoje às 24h tem apresentação da peça "Homens, Santos e Desertores".
Escrito por Cemitério de Automóveis às 12h38
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CHAPA QUENTE – ESTREOU

E finalmente estreou o espetáculo "Chapa Quente", adaptado dos quadrinhos do Brother André Kitagawa. A acolhida foi muito maneira com uma estréia lotada de amigos. Infelizmente muitos não puderam entrar. Espero que voltem nos próximos dias da temporada. Alguns amigos já escreveram em seus blogs. Se quiserem conferir:
Pierre Porpeta : http://jukebox-songs-stories.zip.net/index.html
Nick Cassady : http://osomeafuria.zip.net/
Gabriel Bá : http://10paezinhos.blog.uol.com.br/
E quem assistiu nesse último final de semana, sacou que antes do ínicio do espetáculo, nós exibimos no telão um pequeno vídeo sobre a preparação da peça com depoimentos dos atores e do próprio Kitagawa. A idéia é que a partir dessa semana a gente passe a fazer uma espécie de pequeno festival de curtas e vídeos. Isto é, antes do espetáculo, estaremos sempre exibindo um pequeno vídeo ou curta realizado por amigos e que tenha a ver com o universo da brodagem. A programação desse final de semana já está fechada:
Dia 12 - Vídeo Clip "Enjaulado Blues" - Direção : Mário Bortolotto / Edição : Marcelo Montenegro
Dia 13 - "Diário das Crianças no Porão" (Sobre a Mostra Cemitério de Automóveis de 2.002) Uma produção da Bedrock Vídeo
Dia 14 - Making off da Mostra 2005 - Direção : Douglas Kim / Edição : Douglas Kim e Edson Kumasaka
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Nesta Sexta-Feira também estaremos apresentando no Itaú Cultural dentro do Projeto "Autores em Cena" o espetáculo "O que tá escrito na fita não é o que tá gravado", com texto de Marcelo Montenegro e direção de Mário Bortolotto. Em cena estarão Marcelo Montenegro e os coadjuvantes André Cecato, Mário Bortolotto, Mariana Leme e Walter "Batata" Figueiredo. Na projeção de imagens, o presidente Robson Timóteo e na operação técnica, Douglas Kim. Começa às 19h30 e é grátis.
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Na sexta a gente também estréia dentro da Mostra "Cemitério à Meia-Noite" o espetáculo "Homens, Santos e Desertores". No Satyros 1.
Por enquanto, é só isso. Tá bom, né?
Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h28
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